Pitacos – Tomando Posse (Virada Cultural)

Eu nasci e cresci em São Paulo e tenho ótimas lembranças de infância do centro da cidade. Das visitas ao trabalho do meu pai e das idas ao fórum com a minha mãe eu guardo lembranças quase mágicas. Ir ao centro de Sampa pra mim significava ver coisas que eu nunca via, pegar metrô (que era tão raro na minha vida que eu adorava), comer pralinê, andar por livrarias que tinham coisas únicas e livros infantis a dois reais, ver gente diferente, admirar a arquitetura dos prédios antigos e mais um monte de outras coisas que faziam o passeio lindo. Eu me lembro de dar pulinhos de alegria quando meu pai ou minha mãe me convidavam pra ir ao centro.

Eu cresci e descobri coisas que eu não sabia sobre o centro, ele parou de ser mágico e passou a ser uma região da cidade onde não ando mais tranquila. Confesso que há anos ouço as pessoas falando sobre a Virada Cultural e sinto um certo medinho, afinal tem segurança mas não deixa de ser no centro perigoso da cidade.

Nos últimos anos eu passei a acreditar na revitalização do centro, na ideia de que o centro da cidade pode ser um lugar legal pra todo mundo conviver com a história e também para outras crianças terem lembranças legais como as minhas. Comecei a achar ótimas ideias e então resolvi conhecer de perto algumas coisas (eu até já cacei fantasmas aqui) e com esse espírito resolvi, pela primeira vez, ir a uma virada cultural.A-hora-da-virada

Já sabia que elas eram bem movimentadas, já que todo ano aproveito o metrô que funciona a madrugada toda, mas não tinha ideia de como eram legais. A Virada tem show pra todos os gostos e tem oportunidades pra brincar com as próprias preferencias musicais. Eu, que gosto de rock, pop e música eletrônica não fui ver nenhuma dessas coisas. Todo evento tem falhas mas a minha experiencia foi perfeita. Eu andei muito, me perdi dezenas de vezes e em todas elas encontrei um policial ou um funcionário da CET que, tratado com educação (o básico, por favor, obrigada e um sorriso) prontamente me indicou a direção a seguir e o caminho mais seguro pra chegar onde eu queria. Vi a praça Julio Prestes inteira cantar “O Canto da Cidade” pra Daniela Mercury, vi uma galera que tava tocando um rock bacana num apartamento no Largo do Arouche parar pra ouvir Sidney Magal, vi uma menininha divando ao som de “Sandra Rosa Madalena”, dancei na faixa de pedestres e sambei na Praça da República.

Tem muita coisa pra melhorar ainda e isso também passa pelo comportamento das pessoas mas faço minhas as palavras do nosso prefeito quando ele diz “A cidade é nossa e vamos ocupar a cidade.” Esse final de semana eu tomei posse de São Paulo e adorei!

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