Pitacos – Amor, perfumes e intolerância

Nos últimos dias a internet tem parado pra ver a polêmica gerada em torno da campanha de dia dos namorados do Boticário.

O vídeo traz homens e mulheres comprando presentes e se preparando para entregá-los, uns tocam campaínhas, outros caminham até a porta e BAM, o primeiro homem abre a porta para outro homem, uma mulher encontra um homem em um restaurante, uma mulher abre a porta para outra e a última mulher encontra um homem num parque. As ações dos 4 casais são exatamente iguais, sorrisos, abraços e troca de presentes. Nenhum beijo é trocado, nada é caricato e nas palavras da minha irmã “se você não soubesse que é uma campanha de dia dos namorados essas pessoas todas poderiam ser só amigas”.

É tudo muito sutil mas ao mesmo tempo bem óbvio, a narração não deixa dúvidas de que são todos casais e aí começa a briga. Grupos de pessoas pela internet (muitos com fundamentos religiosos) iniciaram uma campanha de boicote à marca convocando pessoas para avaliar negativamente o vídeo no YouTube, deixar de comprar produtos e (sim, é duro acreditar que chegou a isso) lotar a página do Reclame Aqui com reclamações sobre a campanha.

Do outro lado grupos de pessoas LGBT e simpatizantes se mobilizaram para fazer avaliações positivas do vídeo, fazer zoeira, muita zoeira (afinal ninguém é de ferro), elogiar a marca e até comprar produtos e postar fotos indicando seu apoio.

Diante de tudo isso a marca se posicionou com um comunicado onde afirma que a campanha tem como objetivo abordar com delicadeza e respeito as mais diversas formas de amor e mostrar a felicidade que as pessoas sentem em presentear seus amados no dia dos namorados. Afirma ainda que valoriza a tolerância e respeita a diversidade . Num país onde grandes emissoras de TV mudam sua programação temendo boicotes a resposta da marca foi praticamente um “gostamos da nossa campanha e ela fica, o choro é livre”. Um posicionamento interessante mas quase desnecessário uma vez que a trilha sonora da campanha é uma versão instrumental do trecho da música de Lulu Santos que diz “Consideramos justa toda forma de amor”.

botic

P.S. Pessoas LGBT são pessoas. Elas comem, sentem frio, dormem, trabalham, ganham dinheiro e consomem. O Boticário não é a primeira empresa a perceber que assumir esta postura pode ser benéfico não apenas do ponto de vista da contribuição para um mundo menos intolerante mas também do ponto de vista comercial. Vivemos em 2015 (não 1700, ufa) e durante os próximos dias pessoas de todas as orientações sexuais comprarão presentes de dia dos namorados. Eu não sei ainda onde (ou o que) comprarei para o meu namorado mas sei que continuarei consumindo os produtos da marca e presenteando pessoas queridas com eles. Pro Boticário ficou uma imagem bonita, um monte de publicidade gratuita e claro, essa vontade que eu (e vários dos meus amigos) estamos sentindo de passar nas lojas deles e comprar de tudo.

Feio é querer espalhar o ódio usando o Facebook, o WhatsApp, celulares Android e Apple e tantas outras ferramentas de empresas que se declaram a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Nós aqui no Brasa apoiamos o amor <3

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