Ogrices – Tempo mano velho

Essa é minha história, nasci e cresci na cidade de São Paulo – SP no bairro de Moema, ia todo dia andando para a escola e demorei pra descobrir que a cidade era tão maior do que o alcance dos meus pés, aprendi então a utilizar o transporte público aonde os principais locais que eu precisava chegar eram de fácil acesso. Mas a vida em Sampa vai ficando complicada, com o trabalho cada hora você tem menos tempo, com as responsabilidades, o transito e tudo mais você se descobre indo deitar a uma da manhã, com mais umas 3 a 4 horas de dia faltando.

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Me mudei há 2 anos atrás para Campo Grande – MS, aonde no primeiro dia de trabalho entrando as 9 da manhã eu saí de casa as 7:00 e cheguei as 7:08, voltei para casa antes das 7:15 e não estava entendendo nada do que acontecia. assim começou minha vida por aqui, aonde tive que começar a descobrir aonde e como gastar o meu tempo.

O mais impressionante disso tudo é a falta de costume que adquirimos com a “falta de tempo”, a manhã sempre foi um período do dia aonde minha prioridade era chegar ao trabalho, muito transito, stress e band news me ajudando a chegar na Avenida Vergueiro 1855, agora com dois anos morando por aqui eu começo a compreender a oportunidade que tenho em mãos, sem esforços ou sacrifícios eu consigo fazer um hora de academia todo dia pela manhã, sem ser um desespero ou uma corrida contra o relógio.

Em uma hora de almoço eu consigo ir até em casa, almoçar, levar minha filha na escola e voltar para o trabalho, nem preciso dizer o quanto isso seria impossível antigamente.

Hoje minha filha começa uma aula de natação no final do dia, quando ela sair da aula o dia não vai ter terminado, ainda vão existir HORAS pela frente, visita, amigos, jantar e tudo mais, algo que eu sinceramente ainda estou começando a compreender, a possibilidade de aproveitar a noite e fazer tantas coisas sem ser um compromisso, um sacrificio ou uma grande romaria, aprendi no passado que jantar na casa dos meus pais significava sair as 18hrs e voltar as 01:00, com mais de 50% desse tempo parado em um carro, hoje consigo atravessar a cidade em 30 minutos.

A nossa noção de tempo é diretamente ligada a velocidade e necessidade do nosso cotidiano, demorei a compreender que meu dia não tem horas a menos, ele tem hoje horas a mais que eu não aprendi a aproveitar, mas ainda temos muito tempo e aprendizado pela frente para cada dia mais aproveitar a qualidade de vida que o meu “novo” lar me oferece.

[box_dark]Quadrinho do post feito por Ila Fox. Ilustradora[/box_dark]

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