Ogrices – Pintando o 7, aos 32.

Desde muy pequena tive afãs para as artes, sempre pintando o 7 no bom sentindo. Trabalhos escolares me divertiam, lego me encantava, o combo tinta, canetinha, cola e papel era o favorito. Nada escapou. Quando acabaram as feiras de ciências da vida… Surgiram roupas, móveis e outras coisitas mais. Tudo isso sempre com o incentivo e parceria da minha irmã mais velha, além da sorte de ter umas primas criativas pra brincar junto. As serelepices eram infinitas, até que um dia veio a idade…

Na infância eram colagens, mosaicos, legos alterados e infinitos desenhos de móveis. E o braço nunca doía e o ânimo nunca acabava. Antes da adolescência (na era sem internet e impressoras) a escola conseguia ocupar bastante da criatividade com os trabalhos – que exigiam cartolina, mapas em vegetal, desenhos, recortes de revista e tudo que há de bom! – além disso uma vizinha costureira me dava o maior apoio e corda no ateliê dela. Na adolescência chegaram as customizações de roupas, móveis e álbuns de fotografia.

Aprendi ponto cruz e fiz até um tapete. Me frustrei por não conseguir tricotar. Depois disso, alguns presentes handmade e cositas para casa. Coisas fofas e simples. Nada com cara de fim de feira, nem de pano de prato de feira. Continuo admirando todas as bordadeiras, rendeiras e afins. Sempre brincamos entre nós, eu e minha irmã, que devíamos ter nossa própria barraquinha, na verdade levamos isso apenas como diversão pessoal.

Este fim de semana chegaram uns móveis da sala que compramos na internet. Montamos juntos eu e o F.A., me animei em ornamentar a casa e decidi reformar os cadeirões da Tina (que são de madeira), umas baquetas e outros projetos que estavam lá esperando dias de férias e/ou companhias que “nunca vem”. O que isso tem a ver com esta coluna? A idade. A tendinite que me deu. Por não saber fazer um de cada vez. Por achar que podia fazer 15 móveis de uma só vez aos 32 anos com uma vida sedentária.

E antes que você me diga, poxa, não se faz isso com pressa. Eu não fiz. A arte exite de você um mergulho intenso, uma entrega de si e eu me entrego mesmo. Mergulho naquilo. Tanto que me perco. E quando vi tinha feito uma casa inteira… Pintar o 7 aos 32 já não é a mesma coisa.

O afã continua o mesmo. As técnicas rudimentares. E meu amor por presentear minha filha e minha mãe com banquetas lindas que elas amam está intacto. Contudo eu realmente espero que o tempo me traga um melhor discernimento de como dividir os afazeres… Uma banqueta por domingo quem sabe…

Hoje o post é da Octopus Mom – Ana Azevedo. Que sentiu as ogrices dos 30. E precisava compartilhar. 

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