Octopus Mom – Ser mãe é um sentimento.

Acima de tudo ser mãe é amar, amar muito mesmo este estado da existência. São três anos e meio da maternidade da Tina, fora o tempo de Bah e  Bih. São quase três anos escrevendo sobre isso aqui e acolá. Escolhendo discussões que sempre tragam questionamentos, sempre em busca de sermos pais, sociedade e filhos melhores.

Sempre fiz questão de abordar nos meus posts os lados não tão bons, não tão felizes, não tão fáceis da maternidade. Não por pessimismo, ou qualquer coisa que o valha, mas porque todo mundo fala de filhos como uma coisa obrigatoriamente extraordinária e, eu, acredito que desmistificar as agruras é dar suporte para quem não se enquadra na família do comercial de margarina (90% dos casos) e infelizmente se sente obrigado a parecer que sim, são perfeitos.

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Numa confraternização com amigos fui questionada sobre ter filhos, dei uma resposta meio embolada e fiquei com a pulga atrás da orelha.

Situação: Eu estava exausta, porque claro que passar o dia sozinha com uma criança numa chácara é cansativo e tinha acabado de tentar almoçar. A menina em questão não estava nem um pouco com cara/tom de filhos… Respondi que era mesmo difícil e quem não tinha certeza tinha que esperar… Logo a menina respondeu uma avalanche falando que filho era da mãe e mil coisas (das quais discordo). Quando o marido animadão (tentando convencer a esposa) me questionou se o Felipe não me ajudava…

Respondi, sem pensar, que eu era muito sortuda e me lembrei automaticamente deste texto: “My husband: Five reasons i’m not lucky to have him” – que eu já pensei em traduzir mil vezes, porque deveria ser leitura obrigatória mundial.

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Não eu não sou sortuda e não filho não é da mãe. Fiquei muito chateada com o que respondi porque pareci insatisfeita, o que não é verdade. Mas uma coisa é incentivar a maternidade, outra é fazê-lo levianamente. Ter filho pra terceirizar, cumprir tabela e mostrar felicidade é um erro crasso, e uma das coisas que deixa nossa sociedade no triste patamar que está.

Eu tenho prazer em ser mãe e sou muito feliz, mesmo com as agruras do cargo. Nem por isso acredito que filho traga felicidade, ou seja essencial. Nem todo mundo está para filho e esta é uma verdade difícil de engolir. A maternidade precisa ser desmistificada, desobrigada e dedicada. Decidir ter um filho, mesmo “por acidente”, é uma doação que precisa ser feita por inteiro.

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Sou Ana Laura, mãe da Valentina, da qual 50% são do pai Felipe Augusto, que pra sorte dela é muito presente. Não me culpo por nada. Sou a favor do aborto e não culpo quem não quer ter filho. Acho melhor mesmo que não tenha. Sou sincera.

Conheço mães solteiras, pais solteiros, filhos adotivos. Pais e mães continuam com sua porcentagens, preenchidas, ou vazias. Alguns filhos tem a sorte de encontrar outras pessoas, mais preparadas que os pais de sangue para uma função tão séria que é criar um ser humano, muito dispostas a faze-lo uma boa pessoa feliz. Mas reconheço abertamente que a sociedade precisa refletir sobre este assunto porque os números de filhos sem a mesma sorte todo mundo sabe.

A maternidade precisa ser desmistificada, desobrigada e dedicada.
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