Miojo e Suco Verde – Um mar de lama e um oceano de esperança

Hoje fazem 3 meses que eu não olho pro mar. Talvez tenham sido os 3 meses de maré mais alta desses meus anos de praia.

A sensação de levar um “caldo” sempre me dá uma nostalgia, quando eu era criança eu era um peixinho que adorava brincar com as ondas. Sou pisciana e até no horoscopo chinês estou com o pé na água, macaco aquático. Também digo que sou filha de Yemanja (apesar de nunca ter ido num Pai de Santo para confirmar), minha mãe conta que quando eu estava na barriga a placenta descolou e ela usou um laço de fita, azul da cor do mar, por 7 dias.

Depois de 12 anos morando na praia voltei para São Paulo pra trabalhar, estudar e “crescer”, a gente precisa expandir os horizontes não é mesmo? Descobri o nova sensação de “tomar um caldo” no mar de possibilidades, sem perder a sensação deliciosa de adrenalina quando levanto pra respirar, melhor ainda é não esquecer de se divertir, se jogar na areia feliz, mesmo que exausta de tanto nadar.

Uns mais próximos, outros mais distantes, mas todos nós concordamos que o oceano é imenso, fantástico e poderoso. O mar é o instrumento perfeito pra mostrar de forma lúdica o jeito que vivemos a vida, com belas praias e também profundezas. Pois é sereias e marinheiros… Havemos de convir que o mar não está pra peixe, está pra lama! Nós aqui da “Pátria amada, salve, salve!” estamos no momento: “Salve-se quem puder!”. Ainda de forma lúdica podemos associar esse desastre ambiental, com o desrespeito social e a falta de ética governamental.

Quando comecei com essa brincadeira de ser colunista escrevi sobre a praia de Regência em Linhares, litoral norte do Espírito Santo, onde a lama chegou no mar. Trata-se de um vila de pescadores simples e mágica, reli o texto que escrevi e sorri. Mais uma sensação de nostalgia, mergulhei nas minhas palavras onde  também usei o mar de forma lúdica para falar sobre o que eu sentia.

Me surpreendi ao ver que o texto foi publicado há exatamente 4 anos, justo agora que eu me vi obrigada a escrever sobre essa praia que sofreu um grande marco, tantas e tantas mudanças… Hoje são só lembranças e rejeitos da Samarco! Me diga meu Brasil… Não estamos  no mesmo barco?

Fico quase desiludida, mas eu lembro que querendo ou não, eu faço parte de uma pátria aguerrida. O mar está de ressaca e está difícil  remar contra a maré, mas vamos ser otimistas, digam tudo, só não digam que a gente não é um povo que tem fé! 

Saudades do mar.

image (2)

Meu texto, lembro do que estava sentindo mas hoje minhas palavras fazem outro sentido pra mim:

Regência, o paraíso a 200km.
novembro/2011
Por que as pessoas gostam tanto de Regência Augusta?
Eu não surfo, não pesco e não entendo muito de tartarugas, mas a simplicidade de Regência mexeu comigo.
Na vila de pescadores do litoral de Linhares, as ruas são de terra e entre nativos e agregados, os 1.300 habitantes, se conhecem. Para uma paulistana um lugar tão provinciano inicialmente até assusta.
A vila é pequena e sem segredos, tem seus pontos de referencia para comer, se divertir, pegar onda, dançar, aprender. Fisicamente, é o lugar mais tranquilo do planeta. Espiritualmente, me fez passar por tantas emoções, que eu me perdi várias vezes em um só feriado.
Seja em Regência, São Paulo ou em qualquer lugar do mundo, temos que ficar atentos a quem passa em nossas vidas. Encontros (na maioria das vezes) não são por acaso e se você passa por uma situação muito forte, seja ela boa ou ruim, sempre aprende alguma coisa.
O que Regência me ensinou? O ser humano cria, cuida e se apega. Se apegar é viver! Se apegar é se permitir, deixar rolar, sentir. Conhecer, explorar, mergulhar.
Um surfista acorda cedo para enfrenta o frio do mar, rema forte para passar a arrebentação, fura as ondas, espera, e quando vê uma oportunidade faz de tudo para ir junto com a onda. Pode ser a onda perfeita, pode ser que ele nem consiga surfar, pode ser também que ele leve o maior caldo … Mas, de qualquer jeito, VALE A PENA.
Regência fez eu me conhecer melhor, a calma do rio, o calor do sol e as ondas do mar me encheram de energia, e junto com tudo isso havia uma coisas que não me fazia tirar o sorriso do rosto: o simples fato de VIVER.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.