Miojo e Suco Verde – Doa a quem doer

Nós sentimos dor.

As dores têm nome. Quando é física pode ser aguda, crônica, visceral… ou pode ser a dor da desilusão, a dor da perda de alguém querido e amor não correspondido quando é emocional. Dor também tem lugar. Tem dor de cabeça, de barriga assim como a dor da saudade e da despedida.

Mesmo que todo mundo sinta a mesma dor, cada um sente de um jeito. A dor é completamente pessoal, intimista e única, mas mesmo assim pode ser compartilhada. Lembro (uma das muitas vezes) que ralei o meu joelho e estava aos prantos porque não queria deixar os meus pais passarem o antisséptico, até que a minha mãe chegou para mim e falou: Filha, eu sei que dói. Se eu pudesse, faria com que doesse em mim! 

Mãe, você é maravilhosa. Desculpe o drama, nem estava doendo tanto assim.

Semana passada foi a vez da minha irmã (por mais uma vez) ter a dor dela, hérnia de disco!  Doía tanto que fez todo mundo sentir dor só de olhar. Ela ficava quietinha, respirando fundo com os olhos fechados, procurando delicadamente uma posição mais confortavél. A mamãe desmarcou a viagem, levou ela no hospital e ficou do lado dela até ela se sentir menos mal.

Então, quando estávamos sós, minha irmã me disse uma coisa que me pois a pensar: Quando a gente tem uma dor física nós fazemos tudo para passar. Respiramos, tomamos remédio, buscamos tratamentos… Mas quando a dor é emocional, vamos até o “fundo do posso” se for precisar, a gente precisa externalizar. 

Eu: Hm…. Fala mais…

Ela: Com a dor física a gente  faz o máximo pra “segurar” a dor, se conter. Quando é emocional a gente quer extravasar, quer “jogar” pro mundo. 

Eu, depois de uma pausa para absorver: E por que que você acha que isso acontece?

Ela: Porque a gente gosta de sentir.

Fiquei pensando sobre isso, até chegar à conclusão que acho justamente o contrário. Para mim a dor emocional é que fica em silencio nos remoendo e a gente vai vivendo e convivendo com ela sem se expressar. Até que sara, com o único remédio que existe chamado: tempo! Já o cortezinho na mão que eu  fiz com a faca arde na alma! Sério! Quase choro!

Liguei para minha irmã para argumentar.

Ela: Somos diferentes. Mas por que você acha isso?

Eu: Porque a gente gosta de sentir.

A dor faz sentido e faz sentir.

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