8, 80 – Errar não é humano

Marina era uma moça dedicada. Dava sempre o seu melhor. Se permitia o ócio criativo nas manhãs de sexta, às vezes na manhã de segunda. Só pra buscar outras maneiras de fazer melhor. Mania de perfeição. Quem não tem quando ama o que se faz?  Até Marina morena.

Marina teve o começo de uma ideia magnífica, que foi melhorada com a equipe. Marina ajudou a executar. Sozinha não seria capaz. É que ela não sabe fazer as coisas sozinha.

Ela chegava todo dia no mesmo horário.  Atraso não era uma possibilidade na  agenda dela. Era sempre pontual. Um dia passou mal. Faltou.

A roupa, sempre alinhada, bem passada, bem cortada, causava boa impressão. Tinha um cabelo ajeitado, bem leve, com brilho. Mas um dia o ônibus apertou, a camisa amassou, o cabelo embolou, choveu, o sapato molhou. E justo naquele dia tinha uma reunião importante.

As contas de água e luz eram obrigação dela. E ainda ajudava no mercado. Um dia o salário atrasou, e a luz acabou.

Marina, você faça tudo, mas me faça um favor… Não seja desatenta, desleixada, dependente e desorganizada. Leve guarda-chuva, outro sapato, não ande desalinhada. Mostre que é proativa, responsável, dedicada, esforçada e independente. Seja melhor que todos juntos, Marina. Dê atenção pra família, não deixe faltar nada. E não se esqueça do cabelo penteado!

Marina ficou marcada por seus erros.
É que quando me zango, Marina, não sei perdoar.

E então, Marina morreu. Tadinha, tão novinha, era boa moça, mas não era dedicada, não se esforçava.

 

errar

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