Drops de Séries – Hannibal

Hannibal
A série é exibida no Brasil pelo canal pago AXN.

Semana passada eu dei a dica de iZombie. Essa semana a coluna foi invadida e o clima é mais tenso. Duas séries diferentes e uma coisa em comum: eles comem cérebros.

Com vocês, Felipe Fiamozzini escrevendo sobre Hannibal.

O personagem principal da série criada por Bryan Fuller (Dead Like Me, Pushing Daisies) dispensa apresentações. Introduzido por Thomas Harris em 1981, Hannibal ganhou fama com o filme O Silêncio dos Inocentes (1991), um clássico do suspense/horror protagonizado por Anthony Hopkins no papel do serial killer canibal e que garantiu ao ator seu único Oscar, além de ter levado 4 outros prêmios importantes (Melhor Filme, Melhor Atriz para Jodie Foster, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado). Para ter uma ideia do impacto do filme na época, ele havia sido o 3º filme até então a ganhar os 5 principais prêmios da Academia. Tudo isso sem falar no impacto que o personagem teve para a cultura pop (quem não lembra da máscara/mordaça do assassino?), influenciando diversos outros serial killers.

Entretanto, Hannibal não teve de modo geral uma produção literária e cinematográfica digna do personagem. Da produção total relacionada ao serial killer até a data de lançamento de sua série televisiva (4 livros e 5 filmes), pode-se dizer que apenas os 2 primeiros livros (Red Dragon e The Silence of the Lambs) e os 2 primeiros filmes (o pouco conhecido Manhunter e o próprio The Silence of the Lambs) fazem jus à complexidade do personagem. Felizmente Hannibal, a série, faz um excelente trabalho ao resgatar e desenvolver os elementos que fazem o personagem despertar tanto interesse a todos.

Na série, de 3 temporadas e 39 episódios, Will Graham (Hugh Dancy) é um professor e agente do FBI que possui a singular habilidade da empatia total. Se em condições normais a empatia nos dá a capacidade de compreender o outro ao nos colocarmos em seu lugar, em Will ela se manifesta de maneira tão intensa que ele é capaz de, ao ver a cena de um crime, imaginar-se como o assassino e assim entender seus métodos e motivações. Recrutado pelo chefe de ciências comportamentais do FBI Jack Crowford (Laurence Fishburne) para ajudar na investigação de um caso, Will se mostra muito influenciado pelos rumos da investigação, o que leva Jack a buscar a ajuda do psiquiatra Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) para garantir que Will não perca a cabeça.

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O Hannibal da série é um homem culto, com olfato e paladar muito refinados, que gosta de preparar refeições e banquetes elaborados e que frequentemente convida amigos e conhecidos para apreciar as iguarias com ele. E, para conseguir o principal ingrediente da maioria de seus pratos, mata com extrema precisão e discrição. Em resumo, um homem que está sempre acostumado a ser o mais inteligente em uma sala, até que ele conhece Will Graham, a pessoa cuja personalidade o faz sair do relativo tédio intelectual em que se encontra e se interessar pela mente de alguém e, principalmente, sobre quais os limites dela. A relação entre os dois é muito bem desenvolvida, com Hannibal testando e manipulando todos ao seu redor e Will tentando manter a sanidade enquanto tenta se manter útil para o trabalho no FBI. Mas por quanto tempo alguém que pode se colocar no lugar de assassinos consegue se manter são antes de se tornar um?

Embora o foco seja claramente o relacionamento entre Will Graham, Hannibal Lecter, Jack Crawford e Alana Bloom (Caroline Dhavernas, que interpreta uma jovem psiquiatra que de certa maneira liga os três outros personagens, sendo amiga de Will, consultora do FBI e ex-aluna de Lecter), os outros elementos da trama funcionam muito bem para desenvolver o enredo da série, com assassinos interessantes, mortes assustadoras e, por que não, receitas apetitosas. A direção de arte e a fotografia da série são muito boas e a sonorização ajuda muito para o clima de tensão das cenas, com uma trilha muito baseada em percussões e outros elementos que ajudam a dar ritmo.

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Infelizmente, a série foi cancelada após a terceira temporada, mesmo apesar de sempre ter conquistado ótimas críticas. Um dos grandes problemas apontados foi a baixa audiência devido ao tema e às fortes cenas da série, que era transmitida num canal aberto dos EUA. Existem conversas sendo feitas sobre a possibilidade de se produzir um filme com o mesmo elenco, já que algumas negociações com o Netflix e Amazon não foram para frente. Apesar da notícia triste, Hannibal vale cada minuto gasto, é uma série que vai te deixar preso na cadeira, querendo assistir um episódio atrás do outro, e em alguns momentos, vai fazer você se sentir estranho por ter ficado com água na boca.

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