AvenTurista – O que aprendi no mato

Oi prazer, Letícia. Não é o Bruno, mas segue lendo que também vale a pena (modéstia  parte). Estamos em uma experiência antropológica, como todas as idas às montanhas, nesta troca de coluna nessa semana.

Então vim cá eu, pra contar o que vivi no mato. Como boa moça da cidade, você deve supor que não mato baratas, tenho mil restrições pessoais para comer e que não suporto andar no mato. Não sou tão aventureira a ponto de trocar minha cama por um saco de dormir, ou meu chuveiro por cachoeiras.

Mas não nego apreciar o silêncio da natureza. Um grilinho quando cai a tarde e o cheiro da Dama da Noite. Os passarinhos depois da chuva e aquele cheiro de terra molhada. Sem contar o perfume da lenha queimando e aquele friozinho gostoso que só o meio do mato tem.

Esse é o tipo de coisa que aprecio desde muito nova. Há tantos anos que nem vou dizer.  Só vou dizer que na maioria dessas lembranças, senão em todas, o Bruno está. Ele mesmo. O dono oficial desta coluna é meu amigo de infância.

Nossa amizade foi crescendo ao pé do fogo que nos aquecia e preparava um brigadeiro contrabandeado nos acampamentos escoteiros. Ele desde sempre contava as melhores histórias. Eu ria de todas elas, principalmente quando eu era personagem do causo.

Participamos ativamente do Movimento Escoteiro por mais de dez anos e foi, sem dúvidas, uma coisa que traçou destinos nas nossas vidas. Não porque se aprende a viver na mata, mas principalmente porque se aprende a viver. O Bruno escolheu a profissão que tem, um guia de montanha admirado, por ter vivido o escotismo. Eu não tenho o esteriótipo de mimimi de muita mulher justamente pelo escotismo.

Mas o Bruno tem uma coisa especial, que vai muito além do escotismo. Eu vejo nele uma garra que trago pra mim. Ele não teve só que aprender a subir montanha pra ser o que é. Teve muita tempestade e pedra com lodo no caminho. Tem que ter disposição, resignação, humildade, força, e determinação. Tem que sonhar e realizar.

E foi isso que aprendi com ele. Não dá pra ter preguiça. Tem que dar a cara a tapa, deixar doer e depois levantar com o triplo de força pra seguir. Se fosse fácil era turismo em Copacabana, e não guia de montanha.

bruno_eu

One thought on “AvenTurista – O que aprendi no mato

  1. Adorei o texto e vc dois metrecem todo o sucesso do mundo! Se tem uma palavra que descreve o Bruno é essa: Garra! Só tem uma coisa errada, todo mundo sabe que o melhor contador de histórias era eu!! HAHAH Beijos nos dois!

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