Aventurista – O dia em que eu fui a vítima

Uma vez estava guiando um grupo no PETAR e, como sempre, o passeio foi incrível. É impressionante como aquele lugar é mágico. Já tinha ido tantas vezes que me sentia em casa.

Fizemos o boia cross, ou seja, descemos o rio em cima de boias adaptadas para pegar algumas corredeiras. No último ponto, onde todo mundo estava descendo da boia pra poder voltar pra pousada, banhar e voltar pra São Paulo, eu resolvi dar um mergulho e enfiei a testa numa pedra.

Com a pancada, senti uma dor enorme e logo quando saí da água vi que tinha pelo menos deslocado o maxilar. Tudo isso foi por volta das 11h00. Apesar da preocupação do grupo e do meu amigo/monitor Sandro com o acontecido, pedi que todos arrumassem as malas e se preparassem pro almoço.

Estava no quarto, arrumando as coisas com o Sandro e resolvi olhar a documentação da viagem, para ver se não estava esquecendo nenhum pagamento (cerca de 30 minutos depois de ter batido a cabeça) e vi sangue pingando nas folhas, ou seja, meu nariz estava sangrando.

Estanquei o sangramento, tomei uma ducha e, durante o almoço meu nariz voltou a sangrar (30 minutos depois do primeiro sangramento). Meu primeiro pensamento foi: “Estou com uma hemorragia cerebral ou uma hemorragia interna, e agora?!”

Por causa do deslocamento do maxilar, não consegui almoçar, pois sentia uma dor MUITO forte e não tomei nenhum remédio para dor, pois não queria mascarar nenhum sintoma, pois sabia que a situação poderia ser mais grave do que eu estava passando ao meu grupo.

Chegamos em São Paulo por volta das 22h30, onde desembarquei todo o grupo e acionei o seguro que havia contratado. Me encaminharam ao hospital e dei entrada as 23h00. O Sandro me acompanhou nos exames e, quando a médica olhou o raio x da minha cabeça e disse “não tem nada” ele falou pra ela “lógico que não tem nada. Esse animal não pode ter nada na cabeça pra mergulhar desse jeito num rio”.

Rimos, lembrei das dores e lembrei dos sangramentos. Esses sangramentos que relatei pra médica fizeram ela arregalar os olhos e dizer “como você não foi antes pro hospital?!” e expliquei que não podia abandonar meu grupo.

Fizemos uma tomografia da cabeça e então vimos que não havia nada no cérebro (que sensação de alivio) mas também vimo o estrago no rosto: fratura mandibular e nasal. Por precaução, fiquei uma noite em observação por descargo de consciência da médica.

Resultado, hoje sinto uma dor no fundo do ouvido quando bocejo, como uma pontada e, meu nariz que sempre foi torto, ficou mais torto ainda por causa disso.

Acredito muito que isso foi um pequeno aviso de outro plano (seja ele espiritual / energético ou qualquer um que você acredite ou não) dizendo “se liga no que você está fazendo, nem toda a experiência do mundo te exime da responsabilidade de errar”.

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