8,80 – Esqueça seu celular por um dia

Eram seis e quarenta da manhã. Eu estava sonâmbula no caminho do trem, estação Grajaú. Minha mãe me levava até lá. E de repente, tranquila, digo: ih, esqueci o meu celular.

Passei o dia sem esse companheiro fiel. Foi um dia difícil. Tive tremedeira, mini infarto, impulso de procurar o celular na bolsa, no bolso, na mesa do trabalho… E liguei pra minha mãe pra saber quantos WhatsApp tinha recebido (até meia noite foram quase 300).

Pode me julgar.
Mas se observe. Você teria uma reação muito diferente?

Percebi que tenho um ritual com o celular. Gosto de chegar no trabalho, responder Whats, olhar o Insta e começar a criar. Terça-feira não teve isso. E demorei um pouco pra me situar e pensar por onde começar. No fim, foi o dia mais produtivo desde que o Smartphone faz parte da minha vida.

Coincidência ou não, um dia antes do esquecimento assisti aquele filme Her. Paradão, mas tem uma crítica incrível sobre a nossa relação com a tecnologia atualmente. O filme mostra a nossa necessidade de comunicação (apesar de estarmos quase sempre sozinhos) e uma certa sensação de ter controle sobre tudo – o longa me mostrou tudo isso, o dia sem celular me confirmou o que vivemos e que o filme retrata.

Cheguei mais de meia noite em casa. E foi como reencontrar um grande amor quando vi o celular. Um absurdo, concordo com o que você deve estar pensando agora. Mas não sou só eu que sou assim. Você também deve ser.

E o que eu conclui com isso tudo? Que a gente anda perdendo a habilidade de lidar com pessoas. A solidão tá aí pra todo mundo. Vide tantos casos de depressão. Não é só a vida maravilhosa da maioria nas redes sociais. É o celular na mão o tempo todo. Olha um pouco pro lado.

Aliás, é isso que farei já que estou andando no metrô e digitando ao mesmo tempo.

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