8, 80 – Quando se compreende a morte

Você sabia que um dia vai morrer? Pode ser daqui 50 anos. Mas também pode ser esta noite. Credo, Letícia! Que papinho mais baixo astral! Uai, gente! É a única certeza da vida. O que é que tem de tão mau assim falar da morte? É um assuntinho bem 80. Mas o que é que tem? Morreu, morreu, acabou. E o que é que ficou?

Tive um tio, muito querido, morreu já tem quase dez anos. Ficou a saudade dos churrascos que só ele conseguia organizar pra reunir toda a família. Também tive uma tia, que também morreu, e ficou o trauma dela me obrigar a comer as sementes da melancia e de não dividir o Yakult comigo e minhas primas.

Cada um deixa o que quer.

Não é uma necessidade de ser lembrada. Nem uma vontade de revolucionar o mundo e ganhar o Prêmio Nobel da Paz (embora eu mereça. #modesta). É a consciência de fazer o seu pequeno mundo, este mesmo que fica em volta do seu umbigo, um lugar legal, composto por pessoas maravilhosas. Você também pode ser a bruxa da história, se quiser. Mas eu não quero ser.

Já ouvi muito conselho da minha mãe sobre não ir dormir brigada com alguém porque não se sabe se vai acordar no dia seguinte. Sempre concordei. A ficha é que demorou pra cair. O dia que eu entendi que, de repente, este suspiro que dou enquanto escrevo este texto possa ser o último, eu decidi que quero viver em paz – até com aqueles que me tiram do sério e me levam pro 80 em segundos.

Nâo tô acreditando que eu te motive a fazer caridade, a não parar em cima da faixa de pedestres, a parar de empurrar o coleguinha no metrô ou a acreditar em vida após a morte. Mas eu tô acreditando que você vai pensar que vai morrer e que de repente isso te incentive a fazer o seu melhor mais vezes. Porque talvez, caso contrário,  todo mundo só se lembre que você bebia demais, comia demais, reclamava demais, falava demais, gastava demais, economizava demais, se importava demais, trabalhava demais, jogava demais, viajava demais, dormia demais, corria demais, e que fazia demais o que não era tão importante assim.  

E você há de convir comigo que ser demais tem muita gente sendo e, talvez, por isso mesmo o mundo não esteja tão legal quanto poderia ser. E, olha… A culpa não é da Eva que comeu a maçã. A culpa é sua (nossa, né?) mesmo por não respeitar os próprios limites.

Então, quando você morrer… Eu espero que alguém se lembre da sua capacidade de fazer bem o seu melhor.

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