8, 80 – Pela extinção dos rótulos

Sabe aquele momento em que você está navegando sem destino pelo Facebook e se depara com aquela mensagem que te incomoda? Você até curte a pessoa, acha ela inteligente, mas, aquele comentário pegou alguma coisa dentro de você que, não sei, te fez pensar e muito.

Eis o comentário:

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Vamos analisar o comentário juntos:

Basicamente é alguém que se autoproclama (já explico porque “autoproclama”) mochileiro, que deduz que agora é moda ser desta categoria de viajante e que acha isso ruim, dizendo que é uma “espécie extinta”. Claro, tudo na vida é categorizado. Azul, vermelho, bom e ruim, porque não o mochileiro?

Vocês já devem ter percebido que que vos escreve não é a Letícia e sim o Aventurista Bruno Masredon.

Várias vezes já vi comentários do tipo “você não é mochileiro se não fizer tal coisa” ou então “você não é montanhista senão fizer isso ou aquilo.”

Toda vez que eu leio isso me vem um único pensamento na cabeça: VOCÊ É O PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DOS MONTANHISTAS / MOCHILEIROS? NÃO? ENTÃO FICA QUIETOOOOOOOO!

Ser mochileiro não é que nem fazer uma faculdade de Direito e ter a carteirinha da OAB ou então fazer medicina e ter o CRM. NINGUÉM VAI TE DAR UMA CREDENCIAL DE MOCHILEIRO. No máximo você vai ter uma carteirinha do Hi Hostel e só.

Aí as pessoas se autoproclamam mochileiro (porque ninguém pode te dar um certificado) e vem dizer que mochileiro é uma espécie em extinção?

Claro, eu não falo essas coisas na cara das pessoas, porque sou um rapaz educado, criado nos melhores estábulos da França. Mas, quem define esses parâmetros? Quer dizer que se eu participei de 15 resgates em montanhas do Brasil, todas com sucesso, escalei o Huayna Potosi mas não escalei o Aconcagua, não sou montanhista?

Quer dizer que as mulheres que economizam o ano inteiro pra fazer uma viagem, cozinham o próprio rango e tentam fazer todos os rolês de graça, mas prefere não pegar carona e preferem dormir num quarto sozinhas por medo de serem abusadas (triste realidade) não são mochileiras?

Dá um tempo né meuô!

Tenho preguiça de gente assim, que fica:

– Nossa, mas você não escalou o Everest?

– Nossa, mas você usa bota de marca?

– Nossa, mas você pegou avião e não ônibus?

– Nossa, você dormiu em hotel?

Segue a imagem do que eu tenho vontade de cantar pra essas pessoas:

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Mas, essa é uma opinião pessoal um tanto quanto 80, mas que guardo pra mim. Então, não vamos contar pra ninguém, ta bom? Então tá.

Cruj, cruj. Cruj, tchau.


Leia mais da coluna do Bruno aqui.

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