8, 80 – A pele cansada

Sardinhas de sol, olheiras das noites sem dormir, e marca de expressão de tanto sorrir. Ela teve uma vida boa até aqui, não nega, e sorri ainda mais quando admite, o que ressalta as olheiras e as marcas de expressões das maçãs do rosto. Tudo bem pra ela, cada marca é uma história pra contar.

Prendeu o cabelo num coque alto e começou a rabiscar num papel um desenho abstrato enquanto contava sobre suas melhores memórias de faculdade. Ela gostava do bandejão e mais ainda das horas que passava lá conversando com os amigos sobre as matérias do curso de ciências sociais e planejando o futuro.

Depois disso tiveram todas as viagens. Paris duas vezes. Esse Brasilzão de meu Deus. A Patagônia, o deserto do Atacama e a Colômbia. Sem contar as idas frequentes ao Sul do Brasil pra visitar a vovó. A mais recente foi Indonésia. E a casa cheia de objetos decorativos típicos de cada região. Viajar o mundo era um dos grandes sonhos compartilhamos na mesa do bandejão.

Nunca teve um grande amor. Nem nos planos, nos sonhos ou na realização. Na serenidade, tudo bem, porque nada impedia de viajar. E já planejava a próxima: Japão ou China. Essa coisa de ficar horas no aeroporto foi cansativa, mas conhecer o outro lado do mundo foi incrível. Foi essa sensação que a Indonesia deixou.

…sem contar o fato de que ela sonhava, nas horas de molho no aeroporto, em conhecer um grande homem. Ou uma mulher, porque não. E então se aventurar em dupla por esse mundo a fora.

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